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PROJETO ICONOGRÁFICO


PARÓQUIA SANTÚARIO NOSSA  SENHORA  MÃE DOS HOMENS

CRUZ BIZANTINA “Eis aí tua Mãe”

Autor: Pe. Otávio Antunes (Artista plástico, Arquiteto e Urbanista).

 

 

I – A ICONOGRAFIA

     O Ícone é a forma de arte plástica mais genuína da igreja, desde os primeiros séculos até o final do primeiro milênio. Seu papel não é apenas decorativo ou ideológico, mas litúrgico-catequético e teológico-doutrinal. Em outras palavras, essa arte se propõe exclusivamente à Evangelização. Ícone, do grego eicon, significa “imagem sagrada”.

     Todo ícone é pintado na oração, fiéis são convidados a interceder em preces durante toda sua  execução. Na igreja de Rito Oriental só monges podiam pintá-los, ou “inscrevê-los”. Estas imagens não são naturalistas, ou seja, não tentam representar paisagens, o tridimensional, ou o natural, mas o sobrenatural. Cada cor traço ou forma tem um significado que direta ou indiretamente ajuda o fiel a rezar.

     No primeiro milênio do Cristianismo, São Gregório Magno, ao falar dos ícones, dizia: “verdadeiramente, o Evangelho entra muito mais pelos olhos do que pelos ouvidos”. São João Damasceno (séc. VIII) afirmava em sua Defesa : “o Ícone é a Palavra de Deus em cores e traços... Uma janela para o Eterno”.

     Os Ícones, por fazerem parte da tradição da igreja, têm seus nomes descritos em língua grega, por exemplo: Pantokrator = O Todo-poderoso; Theotókos = Mãe de Deus; etc. Todas as formas, cores e composição tem um significado teológico, bíblico-catequético.

 

 

II – ÍCONE DE CRISTO CRUCIFICADO

a)                  – Da Cruz Bizantina

A cruz proposta é um ícone bizantino, uma tipologia presente na igreja até o final do século XIV, época em que  o espaço celebrativo era dominado pelo estilo gótico. “Bizantino” porque é a arte sacra que floresceu em Constantinopla (antiga Bizâncio), Império Romano do Oriente. O ícone proposto, porém, não é uma réplica do passado, mas uma alusão e uma releitura do mesmo, pois a Igreja Matriz traz em seu estilo linhas do estilo neogótico.

 

b)                  – Dos três personagens

O Crusificado tendo ao seu lado sua Mãe e o apóstolo João é um ícone tríptico (composto por três imagens), muito comum nos altares e retábulos, nos séculos XIII e XIV. A imagem é inspirada na passagem de João 19,25-27, onde se afirma que aos pés da cruz de Cristo estavam  Maria e o “discípulo amado”, João.

 

1 – A Mãe de Deus e Mãe dos Homens

    Fundamentada na Sagrada Escritura, a igreja crê que a Mãe do Salvador esteve aos pés da cruz no momento central da entrega do Filho de Deus pela humanidade (cf. Jo 19,27). Maria Santíssima está sentindo o que dizia a profecia do velho Simeão “uma espada de dor te passará a alma”. Seu sentimento, porém, não é o de desespero, mas de uma dolorosa esperança.

    Jesus ao dizer a João “filho, eis aí tua Mãe”, não concedeu  sua Mãe a um dos discípulos, mas a todos nós. Ela é, desde então, Mãe de Deus e Mãe dos homens. As cores azul e vermelho das vestes simbolizam, respectivamente, a divindade e a humanidade. Em Maria o divino e o humano se encontram por sua participação no Plano da Salvação. As três estrelas nos ombros e na cabeça simbolizam o dogma da virgindade de Maria Santíssima.

 

2 – São João Evangelista

   Fundamentado também na passagem bíblica de Jo 19,25-27, o apóstolo amado, estava presente aos pés da Cruz. O lado esquerdo é o lado do coração, ao discípulo foi concedida a honra de reclinar o ouvido e ouvir a “voz do sagrado coração” do senhor.

   O discípulo amado representa toda igreja que, mesmo na dor, aguarda impassível a Vitória do Senhor sobre a morte. Ele traz em sua mão o livro, o Testamento deixado por Cristo, onde o fundamento é o amor.

 

3 – Cristo

   Neste ícone Cristo está crucificado, mas ao mesmo tempo, está Ressuscitado. Sua fisionomia não é de fracasso mas de elevação. Se contempla aí  a crucificação e a ressurreição do Senhor. Ele fixa o olhar no espectador, que vai se sentir acolhido pela sua misericórdia em qualquer direção que estiver.

   A frase do Senhor, “filho, eis aí tua mãe”, não é dita somente à pessoa de João, mas a todo o espectador, a todo homem (humanidade). É mais que um pedido, é o testamento do Mestre para que tenhamos sua mãe como nossa também: Nossa Senhora Mãe dos Homens.

 

4 – As incrições

   Em torno de sua cabeça, Cristo traz a auréola cruciforme com as letras gregas ômega, ômicron e ni, que formam a palavra Ó, ON = “eu sou o que sou” (cf. Ex03).                Mais abaixo, o tetragrama em letras gregas IC e XC significa o nome do Salvador – Jesus Cristo.

 

5 – As cores

   A cruz negra na qual o Senhor está crucificado faz contraste com o fundo amarelo dourado: significa que no paradoxo da cruz o Senhor nos deu a Glória por sua morte.

   O corpo de Cristo vivo, sem a coroa de espinhos com sangue a jorrar, contrasta ainda com o fundo negro como se estivesse  flutuando sobre a cruz Crucificação, Ressurreição e Ascenção estão presentes neste mesmo ícone.

 

6 – Ábside

   À abside, ou parede curva dos fundos do presbitério, propomos resgatar o azul, cor que já era antes e que se identifica com o manto de Nossa Senhora  Mãe dos Homens. O azul, embora que escuro, é vibrante e enfatiza o infinito que se fez finito em Maria Santíssima.

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